A violência obstétrica em questão no Brasil como tema do Enem 2021

Já ouviu falar em violência obstétrica? Essa prática, que se encaixa no eixo temático de saúde, pode trazer consequências que afetam de maneira drástica a vida de mulheres, visto que elas sofrem atos de agressão quando estão grávidas ou durante o momento do parto. 

Você saberia escrever uma redação SENSACIONAL sobre esse assunto, que pode ser o tema de redação do Enem 2021? 🤔

Se você ainda está com dúvidas sobre o que é violência obstétrica e a sua relação com a saúde da mulher, vem com a gente! 

Deixa a gente te ajudar! Fonte: GIPHY

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Essa vai ser a reação do corretor que pegar a sua prova. Fonte: GIPHY

O que é violência obstétrica?

De acordo com a lei de países que já oficializaram o termo, a violência obstétrica pode ser entendida como:

“A apropriação do corpo e processos reprodutivos das mulheres pelos profissionais de saúde, […] causando perda da autonomia e capacidade de decidir livremente sobre seus corpos e sexualidade”. 

Não deve ser nada fácil lidar com esses profissionais da saúde. Fonte: GIPHY

Dados estatísticos 

Segundo a pesquisa “Mulheres brasileiras e gênero nos espaços públicos e privados”, divulgada em 2010, uma em cada quatro mulheres no Brasil sofrem algum tipo de violência por parte do sistema de saúde em algum ponto da gestação. 

E isso começa pelos comentários constrangedores nas consultas de pré-natal ou até mesmo pela recusa em oferecer tratamento hospitalar, passando também pelo ato de impedir que a mulher escolha quem vai acompanhá-la durante o parto. Existem também relatos de mulheres que tiveram suas mãos e pés amarrados na maca durante o parto… Muito chocante, né?!

“É simplesmente cruel”. Fonte: Tenor

A cesariana 

Existem ações que foram naturalizadas, mas não têm nada de natural, como a questão da cesariana. 

No Brasil, segundo a pesquisa “Quem espera Espera”, divulgado pela UNICEF em 2017, 57% dos partos são cesarianas, sendo que na rede pública essa porcentagem é de 40%, mas na rede privada 84% dos partos são cirúrgicos. Isso coloca o Brasil em segundo lugar MUNDIAL em número de cesarianas, mesmo que a Organização Mundial de Saúde recomende que esse tipo de parto seja realizado em apenas 15% dos casos. 

É claro que a cesariana é muito importante para preservar a vida das mães e dos bebês em casos extremos, certo? Mas quando não é essa a questão, o parto normal tem uma série de vantagens para a mãe e para o bebê. Sendo assim, o fato de que mais da metade das mães não podem dar à luz desse jeito acende uma luzinha de que algo está bem errado…

Será que esse número tem a ver com a saúde das mães ou com o que acaba sendo mais conveniente para a instituição de saúde?

É uma boa pergunta! Fonte: GIPHY

Se prestarmos atenção nos relatos de pessoas que passaram por isso, dá para perceber que boa parte do que acontece tem a ver com procedimentos desnecessários e invasivos, que são realizados para acelerar um processo que naturalmente pode ser bem demorado. 

Isso vale tanto para a cesárea sem justificativa plausível quanto para outros recursos que acontecem sem o consentimento da mãe e que acabam tendo consequências terríveis e dolorosas, como a aplicação de soro com ocitocina, que acelera as contrações e faz o bebê nascer mais rápido, ou um procedimento chamado “episiotomia”, que envolve um corte na região do períneo para aumentar a passagem do bebê, que depois se transforma em uma cicatriz dolorosa que fica visível para sempre. 

É horrível pensar nisso, né? Fonte: Gifer

Repertório sociocultural 

Uma cena do filme “Monty Phyton: O Sentido da Vida” denuncia a situação da violência do parto com um humor bem ácido. Em um dos momentos do filme, a equipe médica é vista se preparando para realizar um parto e, logo no início, eles organizam vários equipamentos, olham para a maca vazia e percebem que está faltando alguma coisa, sem nem se dar conta da ausência da parturiente. 

Essa equipe médica está de parabéns, só que não! Fonte: IMGUR

Outro repertório sociocultural 

O documentário “O Renascimento do Parto”, de uma maneira séria, retrata justamente a renaturalização do parto e as alternativas que estão surgindo para as mulheres que querem ter essa experiência de um jeito mais autônomo, porém seguro ao mesmo tempo. 

A gente super indica esse documentário! Fonte: Adoro Cinema

O que dizem as leis? 

Mesmo com tudo isso que nós estamos te mostrando, o Governo Federal ainda não tem leis específicas para tratar do assunto. E pior: em 2019, o Ministério da Saúde divulgou um despacho dizendo que o termo “violência obstétrica” tem conotação inadequada e ataca diretamente os profissionais da saúde, sugerindo estratégias para abolir o uso da expressão. É demais, né?! Até porque a violência obstétrica não tem a ver apenas com procedimento médico. 

Como assim?! Fonte: GIPHY

O que não faltam são casos de discriminação de gênero ou de raça, gordofobia médica, violações graves dos direitos humanos. Isso sem falar nas condições deploráveis de alguns hospitais por aí. 

Tudo isso é considerado uma violência praticada em um momento que a mulher não tem condições de reagir, sendo encontrada em um estado de vulnerabilidade. Além disso, para piorar mais um pouco a situação, quando a mulher se sente lesada, não existe orientação clara sobre como proceder, onde denunciar, como saber se ela tem razão ou não, onde procurar ajuda.

O Brasil realmente não é pra amadores… Fonte: GIPHY

Argumento de autoridade 

“No Brasil a gente ainda não tem uma legislação específica sobre a violência obstétrica. Isso não significa que a gente não sabe o que é violência obstétrica.  Mas o fato da gente não ter essa legislação específica, ainda que não signifique que a gente não tem substrato jurídico para dar segurança a essas mulheres, na prática é um passo a mais que elas vão ter que percorrer caso queiram ter seus direitos resguardados, ou no mínimo reparados, né. E só para deixar claro, assim, a gente ter um crime ou não nunca fez com que as pessoas parassem de cometê-lo né. Mas a ideia é que é um reconhecimento do Estado a respeito da gravidade daquela conduta porque a gente só torna crime aquelas condutas que a gente entende que ferem direitos que são muito fundamentais”.  

  • Marina Ruzzi, advogada e fundadora da Braga & Ruzzi Advogadas, o primeiro escritório do Brasil voltado à defesa dos direitos das mulheres e da população LGBTQIA+. 

Mais um repertório sociocultural

A exposição “Sentidos do Nascer” é um projeto originado pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) que leva informações, por meio de obras interativas de forma gratuita, para a população do estado em questão. O que eles fazem é incentivar o bem-estar e os direitos das mulheres e das crianças no momento do parto, ou seja, nada além de um direito básico, certo?

Super bacana, né?! Fonte: Fundep

Como fazer uma redação do Enem 2021 sobre o assunto?

Frase temática: A violência obstétrica em questão no Brasil

Introdução: 

Na introdução, a gente aconselha que você comece com um repertório sociocultural, como o documentário “O Renascimento do Parto”. Você pode dizer, por exemplo, que:  

Procedimentos cirúrgicos excessivos, como cortes desnecessários na região do períneo, e agressões verbais são algumas violências denunciadas no documentário ‘O renascimento do parto’”.  

Daí, é necessário apresentar o tema de forma parafraseada, para mostrar pro corretor que você entendeu sobre o que você tem que falar. Bora ver como fica? 

 “Esse panorama evidencia que ocorre, no país, uma desumanização do parto, que se manifesta por meio de diferentes condutas que caracterizam a violência obstétrica.”  

 Por último, ainda na introdução, que tal citar os argumentos que serão trabalhados ao longo do texto. Quer ver só? 

“Esse cenário é causado pelo machismo estrutural e também pela mercantilização da saúde e deve ser combatido, a fim de garantir a integridade das gestantes.” 

Observe que foram apresentados dois problemas: o machismo estrutural e a mercantilização da saúde. 

 Desenvolvimento 1:

No desenvolvimento 1, será abordado o problema 1: o machismo estrutural. Para dar autoridade ao argumento, você pode usar um repertório universal do eixo da violência, que é um pensamento do sociólogo Pierre Bourdieu. Olha só:

“Nessa perspectiva, conforme Pierre Bourdieu, existe um tipo de violência que não se manifesta necessariamente por meio de coação física e que é empregada sobretudo contra minorias, sendo um instrumento de dominação de grupos opressores”. *

*Pra quem não sabe, esse é o conceito de violência simbólica, que se aplica perfeitamente ao machismo estrutural. 

Desenvolvimento 2:

O problema 2, que é a mercantilização da saúde, será abordado no desenvolvimento 2. Vamos usar outro repertório universal, dessa vez do eixo temático de economia, que é o nosso bom e velho Karl Marx, que discute sobre o quanto o capitalismo é pautado pela BUSCA DE LUCROS.

Podemos também relacionar isso com a realização excessiva de cesarianas do Brasil. Afinal, reduzindo o tempo do parto, aumenta o número de mulheres atendidas e, consequentemente, os hospitais obtêm mais lucro, certo? 

Olha só:

“Desse modo, conforme Marx, o capitalismo se configura enquanto sistema econômico pautado pela busca por lucros, sendo que essa mentalidade se insere em diferentes âmbitos da sociedade. Por isso, muitos hospitais privados, imersos na mentalidade capitalista, visam maximizar os lucros, por meio de práticas como a realização excessiva de cesarianas, reduzindo o tempo do parto e aumentando, dessa forma, o número de mulheres atendidas”. 

E é justamente a problemática acima que temos que resolver na conclusão. Então, você pode escrever assim no final do seu D2: 

“Logo, torna-se necessário combater essas condutas, garantindo a saúde e o bem-estar da mulher e do bebê.” 

Conclusão:

Na conclusão, vamos responder as perguntinhas de ouro: quem?, vai fazer o quê?, como? e para quê?, sendo o “como” beeem detalhadinho! Olha só: 

Quem? “Portanto, é necessário que o Ministério da Saúde…”

Deve fazer o quê? “…desenvolva um programa de formação humanizada direcionado aos profissionais da saúde.”

Como? “Isso deve acontecer por meio de cursos frequentes – ofertados às equipes dos hospitais – que expliquem o que é a violência obstétrica e quais as diferentes condutas que a caracterizam.”*

* Olha só o detalhamento do “como”! 

Para que? “Espera-se, com isso, que esses profissionais sejam informados sobre o problema e capacitados para não o reproduzirem. A partir disso, práticas como as descritas em ‘O Renascimento do Parto’ serão mitigadas na sociedade brasileira”.*

* Olha só o recurso do texto cíclico, que conecta o repertório da introdução com a última frase da conclusão. 

Que tal conferir o nosso post sobre os “Desafios e perspectivas do empreendedorismo social como tema de redação do Enem 2021”? Você também vai aprender a usar a técnica do texto cíclico lá!

O que achou da redação? Ficou mais fácil elaborar o seu argumento agora que você entende como a violência obstétrica pode causar danos à saúde da mulher? 

“Sim, definitivamente”. Fonte: GIPHY

Pois saiba que, pra você treinar ainda mais, você pode baixar a redação-modelo que foi utilizada neste post! 😉

Nós queremos que você tire um NOTÃO em seu texto! Fonte: IceGif

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