Dia Nacional da Ciência (08 de Julho): As maiores descobertas científicas do Brasil

Hoje é comemorado o Dia Nacional da Ciência e do Pesquisador Científico e, por isso, selecionamos algumas descobertas científicas brasileiras que contribuíram para o aumento da qualidade de vida de muitas pessoas, além de promover um maior desenvolvimento nessa área. Vem com a gente! 

1909

Em 1909, o médico sanitarista Carlos Chagas realizou um estudo que identificava uma nova condição médica, que veio a ser conhecida como Doença de Chagas.  

Em seus artigos, Chagas apresentou informações sobre o agente causador da doença, o protozoário Trypanosoma Cruzi, que invade células humanas; o vetor, o inseto barbeiro, que transmite o parasita aos indivíduos; e a síndrome ocasionada por essa infecção parasitária.  

Ele analisou pacientes que conviviam com a enfermidade e animais domésticos infectados, como gatos, o que permitiu uma investigação completa relacionada ao ciclo doméstico do parasita e a forma de transmissão da doença.  

Carlos Chagas foi reconhecido nacional e internacionalmente, sendo considerado uma figura de extrema importância ao combate de doenças tropicais.   

Chagas foi indicado ao Nobel em 1911. Fonte: Britannica Escola

1936 

Em 1936, com o objetivo de acelerar o diagnóstico de tuberculose, o médico Manuel de Abreu inventou a abreugrafia, que permitiu que essa doença assintomática fosse diagnosticada de forma precoce, sendo considerada um exame obrigatório aos trabalhadores brasileiros. Com o passar do tempo, o exame também passou a apontar a presença de tumores pulmonares e lesões cardíacas. 

Antes de ser conhecido como “abreugrafia”, o processo foi denominado de “roentgenfotografia” por Manuel, por ser uma combinação entre fotografia e raio X. O método, que era eficiente e de baixo custo, tirava pequenas chapas radiográficas do tórax, registrando as imagens em uma tela de raios X.  

O médico e sua criação tornaram-se conhecidos tanto no Brasil quanto no mundo, sendo muito homenageado e indicado três vezes ao Prêmio Nobel de Medicina: em 1946, em 1951 e em 1953.  

O médico Manuel de Abreu pesquisava sobre a fotografia dos pulmões. Fonte: Ebiografia

1964 

No início da década de 60, a agrônoma Johanna Döbereiner, que era contratada pelo Serviço Nacional de Pesquisas Agronômicas do Ministério da Agricultura (atual Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária – EMBRAPA), descobriu a associação entre tipos específicos de bactérias e algumas espécies de gramíneas. 

Isso originou a revolução da produção de soja no Brasil, já que essa associação permitia a fixação biológica de nitrogênio nas raízes das plantas, dispensando o uso de adubos químicos. Dessa forma, a produtividade brasileira foi maximizada, e o Brasil se tornou o segundo maior produtor mundial de soja, ficando atrás apenas dos Estados Unidos. Outro ponto é que, além de essa prática ser considerada mais sustentável, já que diminuiu o impacto ambiental, ela também permitiu uma economia anual de mais de 2 bilhões de dólares. 

Por seu trabalho, Johanna tornou-se membro titular da Academia Brasileira de Ciências em 1977, chegando a ser vice-presidente da instituição em 1995. Além disso, recebeu prêmios como o Prêmio de Ciência da Unesco em 1989 e foi indicada ao Prêmio Nobel de Química em 1997. 

Johanna Döbereiner revolucionou a agricultura brasileira. Fonte: MultiRio

1967 

Em 1967, uma pesquisa realizada pela médica imunologista e parasitologista Ruth Sonntag Nussenzweig foi publicada na revista “Nature”. No estudo, a profissional da área da saúde relatou que era possível obter imunidade contra o parasita causador da malária após expor o micróbio a uma dose de radiação ultravioleta e introduzi-lo em camundongos, que tornaram-se imunes a ele. A descoberta em questão serviu de base para as pesquisas que tinham como o intuito o desenvolvimento de uma vacina contra a malária.  

Além disso, Ruth também trabalhou durante anos com pesquisas relacionadas à transmissão e à prevenção da Doença de Chagas, evidenciando que a condição pode ser transmitida por transfusão sanguínea. Ela também destacou que a adição do corante violeta genciana ao sangue contaminado pelo protozoário previne a disseminação da doença. 

Sem Nussenzweig, não teríamos uma vacina contra a Malária. Fonte: Unicamp

1998

Em 1998, o engenheiro mecânico Aron de Andrade, responsável pela Seção de Biomecânica do Instituto Dante Pazzanese de Cardiologia (SP), desenvolveu o primeiro coração artificial do Brasil, um projeto para a sua tese de doutorado.  

Indicado para pacientes que estão na fila de espera para transplantes, esse aparelho não substitui o coração que apresenta problemas, sendo ligado ao órgão e funcionando como se fosse uma extensão dele. Portanto, esse coração artificial é o primeiro do mundo a funcionar junto ao órgão natural. 

O dispositivo recebe o sangue bombeado pelo coração humano, realizando o esforço de distribuí-lo pelo corpo. Se, por algum motivo, o aparelho parasse de funcionar, o coração natural ficaria responsável por bombear o sangue, fornecendo tempo para que o indivíduo trocasse o artificial em um hospital.  

O coração artificial ajuda pacientes nas filas de transplantes. Fonte: Época Negócios

2015 

Em 2015, a médica obstetra e especialista em medicina fetal Adriana Melo foi reconhecida como a primeira profissional de saúde a identificar a associação entre o zika vírus e os casos de microcefalia em fetos, que eram diagnosticados, em sua maioria, na região Nordeste.  Por meio de testes realizados em líquidos amnióticos recolhidos, ela comprovou que os filhos de duas pacientes tiveram contato com o vírus.  

A profissional também é responsável pelo projeto “Amor Sem Dimensões”, atuando no conselho de administração e na diretoria executiva da iniciativa, que promove a melhora na qualidade de vida de crianças com microcefalia e suas famílias por meio de assistência médica e social.  

A dra. Melo diz que demorou dois meses pra ser ouvida sobre a sua pesquisa. Fonte: O Globo

Também em 2015, Sayuri Magnabosco, que cursava o ensino médio na época, desenvolveu uma embalagem biodegradável de cana-de-açúcar, com o objetivo de substituir bandejas de isopor, que podem levar anos para se decomporem.  

Em 2021, Sayuri se formou em engenharia biomédica na universidade de Dartmouth (EUA), onde também atuou como assistente de pesquisa. Outros projetos contemplados por ela incluem a produção de anticorpos monoclonais (proteínas utilizadas pelo sistema imunológico para a identificação e a neutralização de partículas estranhas que invadem o organismo) para a criação da primeira vacina contra o citomegalovírus (CMV), um vírus que pertence à mesma família do herpes.  

O produto de Sayuri pode se decompor em apenas um mês. Fonte: LiveHere

2016 

Em 2016, a engenheira de materiais Nadia Ayad usou o grafeno, uma substância derivada do carbono e com alta capacidade condutora de eletricidade, para elaborar um sistema que filtra e dessaliniza a água, com o objetivo de reciclá-la e de combater a escassez desse bem, fornecendo o acesso à água potável em áreas necessitadas e minimizando os gastos com energia.  

Por seu projeto, ela ganhou o Global Graphene Challenge Competition 2016, uma competição mundial organizada pela empresa sueca Sandvik Coromant, que tinha escolhido o grafeno como material para proporcionar inovações sustentáveis e modernas.  

O projeto de Nadia visa interromper a escassez de água potável. Fonte: Geledés

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