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Democratização do acesso ao cinema no Brasil

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Repertórios sobre a democratização do acesso ao cinema no Brasil

O tema da redação do ENEM 2019 deu o que falar: a democratização do acesso ao cinema no Brasil. Na verdade, esse assunto não foi bem o esperado (nunca é). A maioria dos candidatos apostava em outro, mas, mesmo assim, a gente aqui do Salto gostou bastante do recorte. Nesse contexto, uma das maiores preocupações dos alunos foi acerca dos repertórios. Como você se saiu?

É importante ressaltar que não é obrigatório usar filósofos, nem leis, muito menos dados estatísticos decorados. No entanto, é preciso fazer uso produtivo do repertório, mesmo que você utilize filmes, séries e até desenhos animados. Nesse sentido, a nossa recomendação é para que o aluno busque algo mais próximo do seu mundo. Além dos repertórios pops, há sempre um projeto ou iniciativa popular acontecendo próximo de onde a gente mora e que tem tudo a ver com o tema.

Projetos sociais de cinemas a preços populares

No caso da democratização do acesso ao cinema , existem vários projetos em diversas cidades do Brasil que visam a inclusão social. Quando não existe muita verba governamental destinada a esse fim, a sociedade acaba se mobilizando para fazer alguma coisa.

Em São Paulo, existe o Cine na Laje, que teve início devido a um projeto de exclusão social e que acontece a cada quinze dias em um bar da zona sul de São Paulo. a proposta é ter um espaço democrático para exibição de filmes. Sérgio Vaz, idealizador da proposta, afirma que os encontros nasceram da necessidade de ter cinema na periferia. “O poder público não nos deu nada? Então, fizemos algo onde não tinha nada”, explica. A iniciativa tem como objetivo valorizar as produções audiovisuais do bairro e ampliar o acesso dos moradores ao cinema. Além dos filmes, já foram exibidas mostras e promovidos debates e visitas de alunos de escolas da comunidade.

Outro projeto legal é o CINE B, um circuito de exibição gratuita de obras cinematográficas nacionais em espaços comunitários e universitários de São Paulo, Osasco e região.  O projeto é do Sindicato dos Bancários, em parceria com a Brazucah Produções, e percorre diversas comunidades. Assim,  ele realiza exibições de filmes em igrejas, escolas, associações comunitárias de bairros e também em sessões especiais ao ar livre. Além disso, o CINE B se preocupa em operar com filmes brasileiros, levando a experiência de uma sessão de cinema para as comunidades e instituições de ensino das periferias e com difícil acesso aos equipamentos culturais. Ademais, todas as sessões do projeto são gratuitas e mais de 200 comunidades e bairros de São Paulo, Osasco e Região, além de 40 associações, já participaram do projeto.

Filmes acerca da temática do cinema

filme sobre democratização do acesso ao cinema

Tapete vermelho: Esse filme nacional conta a história de Quinzinho, um pai de família que mora numa roça bem distante de qualquer cidade. Decidido a cumprir uma promessa, ele decide levar seu filho Neco, de 9 anos, para assistir a um filme estrelado por Mazzaropi em uma sala de cinema, assim como fez seu pai quando ele era garoto. Nesse contexto, Quinzinho encontra dois grande desafios pela frente: primeiro, encontrar um cinema que funcione próximo à sua cidade e, segundo, fazer com que esse cinema transmita um filme de Mazzaroppi.

É interessante utilizar o filme para ilustrar a longa distância que Quinzinho e sua família precisam percorrer para encontrar um cinema em funcionamento. Ademais, é visível o preconceito que sofrem para usufruir de tal entretenimento, uma vez que representam a parcela mais pobre da população. Nesse sentido, é visível no filme a problemática da exclusão social e fragilidade das políticas públicas acerca da democratização do acesso ao cinema.

 

filme sobre democratização do acesso ao cinema

Hugo Cabret: esse é um filme que fala sobre a magia do cinema e que faz uma homenagem à vida e obra de um dos precursores do cinema mundial, George Mèlies. O cineasta foi citado nos textos motivadores da prova do ENEM, em um contexto em que os irmão Lumière que o cinema, até então conhecido como “cinematógrapho”, não teria futuro como espetáculo. Os irmãos, conhecidos como pais do cinema, se enganaram. Essa invenção, também conhecida como a 7ª arte, leva o sonho para a vida das crianças é fonte de entretenimento e importante recurso didático e pedagógico na educação dos jovens.

Respaldo constitucional na temática da democratização do acesso ao cinema

Além dos repertórios citados acima, muitos alunos utilizaram o artigo 6º da Constituição Federal na redação acerca da democratização do acesso ao cinema no Brasil. O artigo fala que o lazer é um direito social e era possível empregar esse repertório dizendo que, apesar disso, não há um cumprimento do dispositivo legal.

Quer saber como a gente aqui do Salto desembolaria uma redação nota mil sobre esse tema? Então, dá só uma olhada nesse vídeo.

O que você achou do tema?

Gostou dos repertórios? Então, comente aí embaixo e conte pra gente como foi que você dissertou sobre o assunto na sua prova, caso tenha prestado o ENEM de 2019.

BUSCA DE DESAPARECIDOS NA REDAÇÃO DO ENEM

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BUSCA DE DESAPARECIDOS NA REDAÇÃO DO ENEM

Muito tem se especulado sobre o tema da redação do ENEM 2019 e, a grande aposta da vez é a “Busca de Desaparecidos”.  Apesar disso, a gente aqui do Salto, particularmente, não gosta de apostar em nenhum tema, especificamente. Afinal, o importante é estar preparado pra falar sobre qualquer assunto. No entanto, muita gente nos pediu mais repertórios sobre esse assunto. Então, resolvemos dar aquela mãozinha.

Vamos começar por mais um episódio de temas do Salto em que, certamente, falamos sobre o recorte do desaparecimento de crianças e adolescentes:

Por que a busca por desaparecidos é uma grande aposta de tema para o ENEM 2019

Em março de 2019, o presidente Jair Bolsonaro sancionou o projeto de lei da Câmara dos Deputados que cria a Política Nacional de Busca de Pessoas Desaparecidas. Antes disso, o Brasil já tinha um cadastro de pessoas desaparecidas, inicialmente destinado a crianças e adolescentes.

Até então, Brasil já dispunha de um cadastro de pessoas desaparecidas, inicialmente destinado a crianças e adolescentes (Lei 12.127/09), mas a nova Lei 13.812/19, é mais ampla. Ademais, ela abrange o desaparecimento de adultos e torna prioridade a busca e a localização de pessoas, que deverão ser realizadas, preferencialmente, por órgãos investigativos especializados.

Segundo dados do site da Câmara dos Deputados, o atual Cadastro Nacional de Pessoas Desaparecidas será reformulado. Desse modo, ele deverá ter dados públicos de livre acesso e outros restritos a órgãos de segurança – como material genético, por exemplo. Além disso, as informações deverão ser padronizadas e alimentadas pelas autoridades de segurança pública relacionadas à investigação e, ao ser informada de desaparecimento, a autoridade incluirá os dados no cadastro nacional.

Repertórios relacionados com a busca de desaparecidos

Se você leu nosso e-book de 14 temas, já sabe que usar repertório pop na redação está mais do que autorizado. Por isso, separamos aqui alguma lista relacionada com o desaparecimento de pessoas:

“Arkangel”: “Arkangel” é o segundo episódio da quarta temporada da série Black Mirror e dá nome a uma tecnologia de implante que permite que os pais acompanharem e monitorarem seus filhos. Após crises de consciência, a personagem Marie, mãe de Sara, permite que a filha cresça sem o uso do Arkangel. Enquanto Sara amadurece, tornando-se uma adolescente rebelde, Marie fica tentada a usar a tecnologia novamente.

“O quarto de Jack”: Joy e seu filho Jack vivem isolados em um quarto. Assim, o único contato que ambos têm com o mundo exterior é a visita periódica do Velho Nick, o homem que os mantém em cativeiro. Nesse cenário, Joy faz o possível para tornar suportável a vida no local, mas quando seu filho completa cinco anos, ela decide elaborar um plano para fugir. Finalmente, Com a ajuda de Jack, ela tenta enganar Nick para retornar à realidade e apresentar um novo mundo a seu filho.

repertório sobre a busca de desaparecidos

“A troca”: Christine Collins, mãe solteira, se despede de Walter, seu filho de 9 anos e parte rumo ao trabalho. Logo, ao retornar, ela descobre que Walter desapareceu. Assim, ela inicia uma busca exaustiva para encontrá-lo. Cinco meses depois, a polícia traz uma criança, dizendo ser Walter. Nesse contexto, atordoada pela emoção da situação, além da presença de policiais e jornalistas que desejam tirar proveito da repercussão do caso, Christine aceita a criança. Porém, no íntimo, ela sabe que ele não é Walter. A partir daí, ela pressiona as autoridades para que continuem as buscas pelo seu filho.

Hipóteses para uma argumentação pautada na busca de crianças e adolescentes desaparecidos

Se a busca de desaparecidos for o tema da redação do ENEM 2019 (outras possibilidades aqui), você pode construir sua argumentação utilizando uma estrutura de causa e consequência. Nessa hipótese, você poderia citar como causa os problemas familiares ou a ineficácia do estado em proteger os menores. E, como consequência, a vulnerabilidade das crianças em situação de risco.

Soluções para o problema do desaparecimento de menores

Na conclusão da sua redação, você vai precisar apresentar uma proposta de intervenção para o problema. Aqui, estão algumas sugestões do “Livro do Repertórios: 50 temas inéditos analisados para o ENEM e Vestibulares”, da autoria do Manoel Neves e do Marcelo Batista.

  • Emissão de registro de identidade alfanumérico para todo recém-nascido, a fim de evitar que os raptores consigam tirar um novo registro da criança em outro estado;
  • Programas que permitam fortalecer o espaço social familiar, por intermédio de reflexões, de diálogos e de trocas de experiências;
  • Políticas públicas de assistência a famílias em situação de vulnerabilidade social;
  • Criação de programa de apoio psicossocial voltado para famílias de crianças e de adolescentes desaparecidos;
  • Criação de ONGs cuja atenção esteja voltada para resolução dos problemas vivenciados por crianças.

Sua vez de falar sobre a busca de desaparecidos na redação do ENEM

São muitas as alternativas para minimizar o número de casos de desaparecimento no Brasil. Qual outra saída você gostaria de propor? Comente aí embaixo!

Redação do ENEM no governo do Bolsonaro

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Redação do ENEM no governo do Bolsonaro

O Enem está chegando e eis que surgem as perguntas: – O presidente vai mesmo ler a prova? Será que ele pode interferir nos temas de redação cobrados? Até o meio do ano, muito se especulou sobre a redação do ENEM no governo do Bolsonaro. Agora, não há mais dúvidas. Hoje, dia 11 de outubro de 2019, o Estado de Minas publicou uma matéria que confirmou que a prova do ENEM não vai ser como no ano passado.

Mudanças na redação do ENEM no governo Bolsonaro

Muita gente quer saber se a prova vai mudar. No que diz respeito à estrutura e à sua forma de ser avaliada, não. Nesses quesitos, é como diz o velho ditado: tudo permanece como dantes no quartel de Abrantes. No entanto, agora há uma comissão do INEP, responsável por “identificar abordagens controversas com teor ofensivo a segmentos e grupos sociais, símbolos, tradições e costumes nacionais”. Mas, o que isso significa?

Em outras palavras, significa que o INEP vai passar um pente fino em tudo que possa gerar polêmica ou afetar a moral e os bons costumes da família tradicional ortodoxa brasileira. Assim, não espere temas de redação que critiquem a homofobia, a xenofobia ou até os direitos dos indígenas quanto à demarcação de terras. Não vai rolar. E por quê? Porque os direitos de cada um desses grupos “fere” o pensamento de outros, e o governo não quer que você levante nenhuma bandeira.

De acordo com Abraham Weintraub, o Enem não vai ter questões “ideológicas”. Segundo o ministro da educação, as questões deverão medir “a capacidade de ler e compreender o texto”. Nesse contexto, o atual presidente do INEP, Alexandre Ribeiro Lopes, assina embaixo e diz que a prova deste ano está focada em questões que avaliam objetivamente o aprendizado dos estudantes.

Quais temas podem cair na redação, então?

Diante do exposto, o ENEM 2019 não vai cobrar nada muito polêmico. Obviamente, o governo não quer que você fale mal dele, muito menos da gestão e decisões do atual presidente, Jair Bolsonaro. O INEP (Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais) também não espera que você seja o polemizador do rolê. Como a gente sempre diz, a redação do ENEM não é palanque. Desse modo, a ideia é se posicionar apenas para construir a sua tese e para propor uma solução na conclusão do seu texto.

Para ajudar você a construir repertório sobre os temas de redação mais prováveis no ENEM 2019, o Salto convidou a roteirista, Aline Layoun, e a professora de Letras, Amanda Kimie, para conversarem sobre a prova do ENEM neste novo cenário político. Por isso, elas também escreveram um e-book com 14 apostas de temas para o ENEM 2019. Nesse e-book, elas falam um pouco sobre o que esperar da prova, apresentam textos motivadores de temais quentes, além de redações-modelo (redigidas por elas mesmas e por seus alunos) sobre cada um dos assuntos abordados. O e-book está disponível aqui.

temas redação enem

 

 

Aproveite e assista aí embaixo ao vídeo que elas debatem sobre esse assunto. Assim, você vai chegar no ENEM afiadíssimo.

 

Apostas de temas para a redação do Enem no governo Bolsonaro:

Segundo Amanda e Aline, são temas muito quentes para o ENEM 2019:

  • a importância da vacinação, porque o governo bateu muito nessa tecla ao longo do ano;
  • gravidez precoce, devido à criação da Semana Nacional de Prevenção da Gravidez na Adolescência;
  • a importância da família, porque Bolsonaro se elegeu a partir desse discurso;

Qual é a sua aposta de tema? Comente aí embaixo e não deixe de baixar aqui o e-book exclusivo do Salto com 14 temas quentes!

A Família Contemporânea e sua Representação no Brasil

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Família contemporânea e seus novos formatos como tema da redação do ENEM

O conceito de família contemporânea vem sendo, há muito tempo, cogitado como tema na redação do ENEM. E, esse continua sendo uma das grandes apostas do Salto para a sua prova de 2018!

Atualmente, devido à evolução histórica dos movimentos sociais e políticos que vivemos, a representação familiar está longe de ser caracterizada pela união apenas de um homem e uma mulher, através do casamento civil e religioso. Segundo o Novo Código Civil (2003), o conceito da família contemporânea passou a ser baseado mais no afeto do que somente em relações de sangue, parentesco ou casamento.

Fatores que desencadearam no conceito de família contemporânea

A emancipação e o ingresso da mulher no mercado de trabalho é um dos fatores responsáveis por promover essa mudança de pensamento. Como consequência dele, houve uma diminuição significativa da taxa de natalidade. Muitas mulheres adiam a maternidade ou dela abdicam em prol da realização profissional. Além disso, a instituição do divórcio permitiu novas possibilidades de arranjos familiares.

Outro fator importante é a globalização. O modelo de organização familiar sempre é influenciado pelas transformações de ordem política. Desse modo, as mudanças advindas da nova ordem econômica mundial como, por exemplo, o grande avanço tecnológico e a disseminação dos meios de comunicação, fizeram com que a sociedade contemporânea apresentasse maior pluralidade nas configurações familiares.

Tipos de núcleo familiar

Como você viu anteriormente, a pluralidade das relações rompeu com o aprisionamento da família nos moldes restritos do casamento. A consagração da igualdade, o reconhecimento de outras estruturas de convívio, a liberdade de reconhecer filhos havidos fora do matrimônio operaram uma verdadeira transformação. Nascem dessa pluralidade a família contemporânea e seus mais variados núcleos:

Núcleo tradicional familiar:

Esse núcleo é normalmente formado por um homem e uma mulher, com um ou dois filhos, unidos através de uma relação matrimonial ou não;

Matrimonial informal:

Esse núcleo é formado por um casal através de uma união estável;

Família anaparental:

Esse tipo de relação possui parentesco, mas não há vínculo de ascendência e descendência. Exemplo: dois irmãos que vivem juntos;

Família Homoafetiva:

Núcleo formado por pessoas do mesmo sexo, as quais se unem para a constituição de um vínculo familiar;

Núcleo adotivo:

Família formada sem a presença de um ascendente;

Família monoparental:

Instituição formada apenas por um dos pais;

Núcleo mosaico ou pluriparental:

Família formada por filhos provenientes de um casamento ou relação anterior;

Família extensa ou ampliada:

Arranjo formado por parentes próximos, como sogros, irmãos e avós, que convivem com um vínculo forte;

Família poliafetiva:

Constituição de três ou mais pessoas que se relacionam de maneira simultânea;

Família eudemonista:

Núcleo familiar voltado para a busca da felicidade individual de cada membro da família.

Combate ao preconceito

Embora existam todas essas possibilidades de arranjos na família contemporânea, o conservadorismo ainda protagoniza cenas de preconceito e intolerância. Cabe à justiça punir com maior severidade quem comete tais atos. É também necessário que o governo, aliado à mídia, promova campanhas publicitárias mais intensas sobre novos modelos familiares e divulgue a possibilidade da adoção de filhos. Além disso, conscientizar as pessoas para tratarem o próximo com respeito e educação torna-se a principal prioridade. Só assim poderemos viver numa sociedade mais igualitária e justa para todos.

Gostou do artigo? Então não deixe de conferir outras apostas de temas do Salto para a sua redação do ENEM 2018 e antes de sair assista o vídeo que o nosso teachtuber “Lucca Najar” preparou sobre esse tema. Tá muito legal!

 

 

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Crise Penitenciária em Evidência

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por Bella Nazar

Oi, galera! Tudo bem?

Neste artigo vamos entender como esse assunto tão delicado e polêmico ganhou evidência nas mídias.

Bom, no dia 2 de janeiro de 2017, uma briga entre facções rivais no Complexo Penitenciário Anísio Jobim, em Manaus, terminou com a morte de 56 detentos. Uma calamidade com essas proporções já havia acontecido, mas em outubro de 1992, em São Paulo, quando 111 presos foram mortos no presídio do Carandiru.

As 56 mortes do presídio em Manaus ganharam destaque no mundo todo, mas isso é algo corriqueiro, afinal, em média, 1 pessoa é assassinada por dia nos presídios brasileiros.

Tal acontecimento trouxe à tona a crise penitenciária que sempre aconteceu, mas que é importante ser debatida, entendida e remedida. Vamos lá!

Alguns fatores propiciam o surgimento de rebeliões dentro dos presídios:

1.Número de vagas é menor do que o número de presos – superlotação:

Devido ao elevado número de crimes, como pequenos roubos e venda de drogas, há superlotação nas celas, pois há, em média, 375.892 celas para 579.423 presos contabilizados em 2014. Ou seja, faltam 203.531 vagas nas prisões do país. Assim, essa superlotação torna a situação dos presídios ainda mais precária.

Sabia que a superlotação viola os direitos humanos, bem como o direito à dignidade da pessoa humana, assegurado pela Constituição de 1998?

2.Lentidão e ineficiência da justiça para os julgamentos:

Mais de 220 mil presos estão aguardando julgamento ou condenação, são os chamados “provisórios”. Isso faz com que a revolta aumente, pois o sistema judiciário é lento e, muitas vezes, age de forma equivocada. Afinal, alguns indivíduos ficam anos presos devido a pequenos delitos, mas outros saem por bom comportamento mesmo tendo cometido crimes perigosos.

Com quase metade da população carcerária brasileira ainda esperando julgamento e um excesso de 54% na capacidade das prisões, a Organização das Nações Unidas (ONU) apresentou um informe, em Genebra, na Suíça, apontando o sistema judiciário de “ineficiente” e alertando para a “superlotação endêmica” das prisões brasileiras.

3.Infraestruturas precárias nas celas:

As condições sanitárias das celas são deploráveis, a alimentação também é extremamente precária, o que, novamente, viola o direito à saúde, ao lazer e à dignidade dos indivíduos.  Muitos contraem HIV durante o tempo nas cadeias, bem como Hepatite.

Esses fatores contribuem para a violência interna e para o crescimento das facções criminosas, pois facilita o contato de presos perigosos – assassinatos, tráfico – com presos de delitos leves – pequenos furtos, venda de drogas -, mas não proporciona a reintegração/recuperação deles para a sociedade.  Assim, outro problema enfrentado é a reincidência às cadeias.

Vamos aos repertórios?

Filme “Carandiru” (2003):

Esse filme dramatiza os dramas vividos no maior presídio da América Latina nos anos 90. O retrato da violência agravada pela superlotação, os serviços prestados os quais são extremamente precários, bem como a animalização dos presos. Nesse ínterim, também é revelado o lado sonhador, romântico e frágil dos detentos.

Documentário “Pelo direito de recomeçar” (2013)

Esse documentário, lançado em 2013 pela Defensoria Pública do Estado de Tocantins trata a crise penitenciária tocantinense com o intuito de promover a conscientização sobre a ressocialização durante o cumprimento das penas. Além disso, apresenta propostas para amenizar os problemas e reinserir os presos por meio do trabalho.

 

Documentários: “Tortura e encarceramento em massa no Brasil” (2015) / Parte 2 – Mulheres e o cárcere

Para denunciar a barbárie vivida pelos presos, a Pastoral Carcerária criou o minidocumentário Tortura e Encarceramento em Massa no Brasil 2015, dividido em duas partes.

A Parte 1: “A Tortura como Política de Estado”, dramatiza as novas formas de tortura dentro do sistema carcerário.

Já a Parte 2: “As Mulheres e o Cárcere”, relata os dramas vividos pelas mulheres presas, como muitas acabam naquela situação por causa dos namorados/maridos/companheiros, a triste situação de extremos cuidados aos filhos recém-nascidos e, depois, o modo como eles são retirados delas.

Propostas:

De acordo com o Conselho Nacional de Justiça (CNJ), a audiência de custódia diminuiu o nível de prisões provisórias para 53% na cidade de São Paulo. Assim, o juiz avalia – em até 24h após o ocorrido – se o preso tem necessidade de prisão.

– Propostas a curto prazo:

Melhoria da qualidade das celas e da infraestrutura dos banheiros

Momentos de estudos e trabalhos para os presos, proporcionando a redução da sentença

– A longo prazo:

Melhoria na educação de base

Campanhas de conscientização contra o uso de drogas e de violência

Presídios inteligentes: o presídio em Paracatu (MG) os “recuperandos”, como são chamados, não têm tempo para ociosidade. Lá eles têm oficinas de artesanato, padaria, confeitaria, marcenaria, estudam, além de momentos de lazer.

“ Os presos chegam aqui como bichos, de cabeça baixa e as mãos para trás. No portão a gente tira as algemas, a roupa laranja, levanta o queixo dele e fala: olha reto! Ele anda uma semana emborcado e olhando pra baixo, mas aos poucos vai voltando a andar como gente! Borracha e paulada na cabeça não deu conta de resolver. Esse método é um novo pacto — diz o diretor da APAC, Eurípedes Tobias.”

Lembrem-se que, apesar de essas pessoas terem cometido crimes, são seres humanos e merecem dignidade. Muitos – quando crianças e adolescentes – não tiveram acesso aos estudos, carinho e nem a laços familiares, muitas vezes, passaram dias sem comer e não tiveram sequer direitos básicos, como esgoto e água tratada.

Precisamos entender que existe uma situação de violência velada –  cometida pelo Estado – ou seja, a falta de benefícios imprescindíveis a eles, mas, por outro lado, há o pleno acesso aos grupos de elite. Isso cria uma situação de revolta e uma sensação de impotência. Devido a isso, infelizmente, são nessas brechas criadas que traficantes e líderes de facções veem oportunidades para aliciar novos integrantes.

Então, proporcionar tudo isso e reinseri-los à sociedade, não só diminui os níveis de violência, mas restaura famílias também, melhorando o IDH do Brasil.

Pensem mais nisso! Não esperem que crises como a ocorrida em Manaus e no Carandiru aconteçam para que falemos sobre esse assunto.

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