Depois de quase 2 anos, a terceira temporada de Westworld estreou recentemente e não poderíamos deixar de citar a série! Misturando tecnologias futurísticas, “mundos” recheados de inteligências artificiais utilizando corpos sintéticos e grandes questões filosóficas, ela é um prato cheio de referências para serem usadas como repertório nas redações! 

🚨 ALERTA: O QUE MAIS TEM AQUI É SPOILER! 🚨

Tema 1: A impunidade na violência contra as minorias sociais

A empresa Delos Destinations, subsidiária da grande corporação Delos Incorporated, coordena parques com temáticas históricas variadas, sendo Westworld uma das atrações mais famosas. 

Os anfitriões, robôs praticamente idênticos aos seres humanos, povoam os locais, que prometem experiências incríveis e únicas aos seus visitantes. Parece inofensivo, né? Apenas visitas para explorar um mundo totalmente diferente e interagir com personagens característicos da época.

Bom, nem tanto. Quer dizer, não para os anfitriões. Dentro dos parques, o que é certo ou errado não importa. Os visitantes, milionários que buscam sentir fortes emoções e satisfazer seus impulsos violentos, têm permissão para realizar todos os tipos de ações sórdidas contra os robôs, que não podem atacar de volta devido ao seu código. 

A série nos faz pensar sobre a forma na qual as minorias são tratadas. Por serem vistos como insignificantes, os robôs não encontram nenhuma forma de proteção e estão presos em um ciclo, tendo seus danos restaurados e suas memórias apagadas, a fim de que eles voltem a executar suas funções nos dias seguintes; enquanto os convidados não são reprimidos ou enfrentam punições.

A violência contra negros, mulheres, indígenas e LGBTQI+ é justificada por meio de argumentos incoerentes, que se juntam a atitudes que estimulam o ódio, o nojo e o desprezo, cultivando ainda mais a desigualdade. A impunidade acerca desses casos, devido a ausência de investigações metódicas e a subnotificação deles em razão do medo, vergonha e a falta de amparo, cria a sensação de que os agressores nunca vão ser penalizados. Por exemplo, o ano de 2017 terminou com cerca de 10,7 mil feminicídios sem solução da Justiça, de acordo com o relatório “O Poder Judiciário na Aplicação da Lei Maria da Penha – 2018”, elaborado pelo elaborado pelo Departamento de Pesquisas Judiciárias (DPJ/ CNJ).

Tema 2: Abuso da tecnologia como válvula de escape à realidade

Os parques são utilizados por pessoas que têm condições de pagar pelas suas viagens e que buscam extravasar os seus desejos, escapando da rotina de seu dia a dia e depois retornando para ela. Ao visitar os locais, os visitantes têm a chance de praticar tudo o que gostariam de fazer na vida real, mas não poderiam por causa das fortes críticas e medidas punitivas. 

A ideia de desfrutar de parques altamente tecnológicos parece um pouquinho distante de nosso futuro, mas não dá pra negar que somos extremamente dependentes da tecnologia. Não há como imaginar – e também não queremos- viver sem a praticidade que os recursos tecnológicos nos oferecem. 

Para nos distrair, quantas vezes já pegamos nosso celular para checar as redes sociais ou jogar e acabamos ficando conectados por um bom tempo? Isso sem mencionar o tempo que gastamos ao assistir filmes e séries, sem ao menos piscar. 

De acordo com a empresa de pesquisa GlobalWebIndex, o tempo diário médio dedicado a sites ou aplicativos de mídia social por cada pessoa aumentou cerca de 90 minutos em 2012 para 143 minutos nos primeiros meses de 2019. As Filipinas são o país no qual as pessoas mais passam tempo nas redes sociais (241 minutos por dia), enquanto o Brasil ocupa a segunda posição no ranking: 225 minutos diariamente, ou seja, quase 4 horas são utilizadas para acessar as nossas redes sociais por dia. 

A tecnologia nos permite esquecer, mesmo que temporariamente, tudo o que enfrentamos em nossa realidade; oferecendo,em troca, a exposição de uma vida sem defeitos. Segundo um artigo publicado em 2017 no site científico Science Direct, o vício em Internet pode afetar mais de 210 milhões de usuários ao redor do mundo, impactando suas relações sociais e afetando as suas saúdes mental e física. 

Tema 3: Benefícios da inteligência artificial na saúde

Os parque são considerados ambientes 100% seguros para os visitantes; já que os robôs são constantemente monitorados e, ao menor sinal de mau funcionamento, são restaurados ou desativados, quando não há mais utilidade para eles ou quando o dano não pode ser consertado. 

Lá dentro, os convidados não sentem dor e não são ameaçados por nada ou ninguém. Em tempos de pandemia, a gente fica pensando no quanto a inteligência artificial pode detectar ameaças antes que elas se tornem algo catastrófico. 

Por exemplo, no dia 30 de dezembro de 2019, sistemas de inteligência artificial que atuam na revisão de mídias e redes sociais detectaram a disseminação de uma doença incomum com sintomas da gripe em Wuhan, na China; antes mesmo de alertas serem difundidos pela Organização Mundial de Saúde (OMS) e Organizações das Nações Unidas (ONU) sobre o novo coronavírus. 

Sistemas de inteligência artificial mostraram o seu valor ao detectar epidemias por meio de uma grande variedade de fontes, como o Twitter, notícias, reservas áreas, entre outras. Eles podem ajudar desde o monitoramento dos surtos até contribuir para o aceleramento dos testes de medicamentos.

No entanto, o cientista da computação Clark Freifeld, que trabalha com a plataforma de vigilância global de doenças HealthMap afirma que apenas decisões humanas devem ser tomadas, visto que esses sistemas são limitados e utilizados como multiplicadores de forças.

O que você pensa sobre isso? As inteligências artificiais realmente beneficiam a humanidade ou é melhor evitá-las, tendo em vista o que aconteceu em Westworld e com a Skynet?